Micróbios

Micróbios
Título: Micróbios
Autor: Diego Vecchio
Editora: Cosac & Naify
Dimensões 19,8 x 13,8 x 1,2 cm
Páginas: 192
Ano: 2015

Ultimamente eu ando surtada no minimalismo e me desfazendo de vários livros, mas como boa hipocondríaca que sou, esse título Micróbios me pegou direitinho e já é certeza que vai permanecer na estante entre os preferidos, assim como foi com O Rosto de Um Outro que já falei por aqui.

Micróbios, do Diego Vecchio pela Cosac Naify, é uma série de contos deliciosos sobre doenças fictícias relacionadas à leitura e à escrita, como pequenas doses de realismo fantástico, muito divertidos. é bem rapidinho de ler e a gente se pega sorrindo empaticamente com os “sofrimentos” dos personagens.

Em 1768, Samuel Auguste Tissot, médico e confidente de Rousseau, autor de um célebre tratado sobre onamismo, publicou A saúde dos homens de letras, no qual tenta demonstrar, através de uma série de casos terríveis, que a literatura é como a masturbação: uma prática que faz mal à saúde. Certos livros seriam o efeito colateral da anemia, da asma, da dispepsia, da difteria, de cálculos renais, da sífilis.

Micróbios é uma apresentação de nove casos clínicos raros, espalhados por diferentes países, em que os personagens sofrem de doenças causadas pela leitura e pela escrita. Humor, tragédia, alta inventividade e uma boa dose de nonsense – e de fluídos corporais – fazem deste um livro de destaque na paisagem da literatura contemporânea.

O primeiro conto, por exemplo, é sobre uma moça que escreve livros de histórias que curam doenças específicas. Um de seus grandes sucessos foi o livro “histórias para crianças com otite aguda purulenta”, mas depois dele vieram outros enormes trunfos da medicina, como “histórias para crianças com sarampo” e “histórias para crianças com difteria”. Todos tão ou mais eficazes do que qualquer vacina!

Amo o realismo fantástico, que mais do que contar algo que poderia acontecer com qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, exercita e excita nossa imaginação ao trazer o elemento do “e se?” para refletimos.

Mundos em que não existe distinção dos seres pelo gênero, em todos desempenham os mesmos papeis igualitariamente, em que a leitura de um livro cura uma doença, um planeta que pode ser inteiramente percorrido à pé por seu único habitante…

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