O dia do fogo também é minha culpa

🔥 Ontem, 20 de agosto de 2019, foi o dia em que a cidade de São Paulo, onde moro, viu o dia virar noite às 16h. Não eram nuvens de tempestade, apesar de terem chegado frentes frias à cidade, mas junto com elas vieram os elementos particulados das queimadas de vegetação de vários cantos do país.

🔥 Fazendeiros e agropecuaristas resolveram colocar fogo em pastos e matas para “demonstrar trabalho” ao atual despresidente e seu desgoverno. O que chegou até a minha casa, meu trabalho, meus olhos e nariz, foram restos da Amazônia, do Pantanal, do cerrado e de tantos outros biomas que o Brasil, conhecido por seus verdes, presente até na bandeira, tem.

😿 Lembrei que ontem também nasceu o bebê de uma colega. Daqui a alguns anos, se ele tiver curiosidade de saber qual foi a principal notícia do país no dia do seu nascimento, vai encontrar esse fato horroroso. Me dá um misto de vergonha, tristeza e uma ponta de esperança de que, quando esse dia chegar, ele poderá pensar “nossa, que barbárie, ainda bem que isso não existe mais”.

🙄 Nas minhas redes sociais, e imagino que nas de muitas outras pessoas, pulularam críticas à prática das queimadas, ao desgoverno, mas também não faltaram aqueles que não acreditam que a Amazônia está se esvaindo em chamas.

😨 Pessoas que eu julgava esclarecidas saíram em defesa de ninguém dizendo que a escuridão anormal era puro efeito de mudança de tempo, muito embora o próprio Climatempo tenha atribuído ao particulado das queimadas o efeito horroroso que pairava sobre nossas cabeças.

🤢 Já estou bem cansada desse efeito que as redes sociais têm exercido em mim. Não os sistemas, propriamente ditos, mas o que eles permitem: que todos tenham voz ativa.

🤡 Não estou preparada para ver e ouvir tantas opiniões desencontradas, descoladas da realidade e alienadas por vontade própria. Não me entra na cabeça que, em pleno século 21, com metade do país com acesso a internet, vejamos pessoas defendendo o retrocesso (vide a pessoa que foi eleita para o cargo da presidência do país).

🤡 O que mais me mata é que parte dessas pessoas são conhecidas, próximas, que frequentaram ambiente acadêmico, que têm influência sobre a vida de outras. Não consigo entender, nem mesmo aceitar, e esse é um processo que será longo em minha jornada evolutiva. Então estou me preparando para abandonar meus perfis sociais. O hábito de checar timelines se entranhou em mim e preciso me livrar dele.

🚫 A primeira providência é bloquear o acesso às redes sociais direto no modem do trabalho, assim, a qualquer momento de distração, em que sem pensar eu costumo entrar no Facebook, Twitter ou Instagram, levo um choque de acesso negado e volto à minha própria realidade.

🚫 A segunda providência é apagar os apps do celular, especialmente Facebook e Twitter. Meu Instagram já é limpo das pessoas cujas opiniões públicas me fazem mal

🚫 Claro que seria muito melhor deletar de vez todas as minhas contas, e realmente penso nisso, mas ainda resisto à ideia para preservar os perfis da minha empresa, que estão associados ao meu pessoal, como administradora do conteúdo.

🤐 Eu nem tenho publicado conteúdo nas redes sociais da empresa em vista da drástica queda do alcance das publicações orgânicas, mas acho importante deixar reservado o uso dos nomes de perfis associados ao nome da empresa. Isso é assunto pra outro dia.

🙌🏻 Fato é que, cansada de ver tanta reclamação, crítica e alienação nas redes sociais, foi que resolvi escrever esse blog. Em vez de ser mais uma a ficar curtindo, compartilhando e reclamando, resolvi ser parte da solução, pelo menos dos meus próprios problemas, e criar conteúdos construtivos que tenham mais alcance do que um post perdido numa linha do tempo.

📝 Mais do que isso, mesmo que não venha ninguém ler esses posts, eu sei que eles estão aqui, e é primeiro para mim que os produzo. Já disse antes que a escrita sempre teve um poder especial sobre mim, então decidi voltar a usá-la como ferramenta de transformação.

🔥 E depois de ontem, desse terrível dia do fogo – que me recuso a escrever em letras maiúsculas porque não poderia estar mais longe de ser um evento especial -, passada a raiva e a indignação pelas pérolas encontradas nas redes sociais sobre isso, decidi pensar qual seria meu papel e responsabilidade no que aconteceu e, ao descobrir, tentar encontrar uma saída.

🔥 As queimadas de pasto e vegetação, bem como a derrubada de árvores, ocorrem, em sua grande maioria, para que os fazendeiros ocupem o solo com plantação de grãos destinados à alimentação de gado e outros animais de abate, e também para criar mais pasto.

🥦 Sendo vegetariana há 8 anos, eu deixo de ser parte do problema por não consumir a carne desses animais abatidos, mas ainda faço parte do problema por consumir derivados como o queijo.

🍫 Deixei de consumir ovos há algum tempo, mas ainda consumo produtos que levam ovos em sua composição, como certos pães e doces. Não tomo leite há anos, mas consumo produtos à base de leite, como sorvete, queijo e chocolate.

📝 Se eu não eliminar isso da minha alimentação, ainda sou co-responsável pelas queimadas dos nossos biomas porque compro os produtos produzidos com o resultado dessa destruição. Escrever isso é muito importante porque me faz reconhecer, publicamente, que preciso tomar uma atitude para ser mais ambientalmente responsável.

🌱 Então esse é meu compromisso público de melhorar minhas atitudes e adotar, de uma vez por todas, uma alimentação estritamente plant-based. Sei que preciso também reconhecer minhas pequenas vitórias, e já estava feliz por fazer refeições veganas de segunda a sexta, mas me dava ao “luxo” (ou ao lixo) de comer algumas besteiras não veganas, como chocolate ao leite, sorvete, pudim… enfim, tudo o que me faz mal.

✊🏻 Chega. É preciso fazer alguma coisa. Se o desgoverno não faz – e aliás, tem até retrocedido na causa animal, já que essa semana mesmo o despresidente assinou um decreto que passa a fiscalização do bem-estar animal para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. É o lobo cuidando do galinheiro -, faço eu e tento levar o máximo possível de gente junto.

✊🏻 Se o exemplo não vem de cima, farei o que me compete, no sentido de deixar meu consumo mais limpo e incentivar essa prática a todos que aqui vierem. Realmente cabe apenas a nós, cidadãos, barrarmos os maiores crimes ambientais.

✋🏻Se todas as barbaridades são feitas em nome do agronegócio, para que eles vendam mais e tenham mais lucro, então nós, consumidores que somos do outro lado dessa cadeia, é que temos a responsabilidade de frear o consumo desse setor.

🐟 É importante começar de qualquer aspecto que for possível no mais curto e imediato prazo: deixar de comer carnes (peixe também é carne), ovos, leites, queijos, gelatina, mel, banha e toda alimentação que for proveniente de um animal, morto ou vivo (porque vivo ele é explorado).

🐑 Se for mais fácil começar pelos aspectos não alimentares, que seja: deixar de usar roupas, calçados e acessórios feitos de couro, seda, lã, cashmere, pêlos, peles, escamas, ossos, conchas, chifres, dentes e o que mais pertencer ao corpo de um animal.

🐄 Muitas coisas são tão fáceis de serem substituídas, e já são um passo importante em direção ao consumo limpo e consciente. Amaciante de roupas, por exemplo, pode levar, em sua composição, sebo bovino ou cera de abelha. Em vez do amaciante, dá pra usar, com o mesmo efeito (deixar a roupa macia, cheirosa e fácil de passar) e menor custo, vinagre de álcool e algumas gotas de óleo essencial.

🛒 Em uma só ida ao mercado, dá pra ler alguns rótulos e escolher aqueles produtos que não têm nada de origem animal em sua composição. É mais fácil começar pelos alimentos porque todos sabemos identificar leite, mel, ovo, banha e outros derivados de animais nas listas de ingredientes. Quando isso já fizer parte da rotina, vamos avançando e eliminando ou substituindo as outras coisas.

🚿 Bucha de lavar louça, por exemplo, que é puro plástico e petróleo e não se decompõe depois de descartada, pode ser substituída por bucha vegetal (a mesma de tomar banho).

♻️ Quaisquer pequenas trocas que fizermos em nossos hábitos, e que durem, terão um impacto importante no consumo. Não podemos é pensar coisas do tipo “não adianta só eu fazer”, porque bons hábitos são contagiosos. Um faz, outro fica sabendo, testa, gosta, indica, ensina e assim vamos pra frente.

💖 Se tiver um alguém aí lendo isso, está mais que convidadx a vir também, eu ajudarei no que puder e souber.

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