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Se você está chegando a este blog agora, agradeço sua vista! Deixe-me apresentar:

Meu nome é Juliana, tenho 37 anos, sou webdesigner, casada, virginiana, vegetariana, espírita, tenho 4 gatos e moro na cidade de São Paulo. Amo ler (essencialmente, livros de suspense, terror e filosofia), ir a shows de rock (punk rock e hardcore) e fazer tatuagens.

Sempre gostei muito de escrever. Esse ofício é parte do meu trabalho, onde escrevo artigos sobre email marketing (estou publicando um livro sobre o assunto) e, no centro espírita que frequento, trabalhei por um ano na psicografia.

Ultimamente, venho sentindo necessidade de escrever para mim. Tentei fazer um diário, escrito em papel e caneta, mas ainda não morri de amores por isso. Preferi escrever digitalmente, organizando meus pensamentos por tópico, num suporte que me permita fazer buscas, categorizações e seja mais rápido de escrever – sou muito lenta para escrever à mão.

Aqui também é interessante saber que o que eu escrevo pode ser legal para outras pessoas, da mesma forma que eu acompanho outros blogs pessoais e gosto de me sentir amiga dessas pessoas que pensam como eu.

A escolha de ter um blog escrito, em vez de um canal no Youtube, foi proposital. Acho mais prático, verdadeiro e, para um diário pessoal, a exposição tão nua quanto um vídeo pode ser muito opressora.

Esse é meu espaço de reflexão sobre a vida, de documentar os processos que decido abraçar para que eu tenha um material concreto onde consultar minha jornada.

Dos 13 aos 17 anos eu já costumava documentar meu dia-a-dia em agendas, que enchia de memórias que me ajudavam a deixar as lembranças mais vivas: o palito do sorvete que tomei com a prima, o papel da bala que o crush me deu, milhares de recortes de revistas, e clips em todas as páginas, que deixavam a agenda tão gorda que ficava quase aberta em 180 graus.

Era uma delícia! Uma hora a vida ficou mais complicada, com trabalho e faculdade, e deixei esse hábito de lado. Fiz um ritual de desapego para queimar as agendas, como se estivesse deixando a adolescência pra trás, de forma que as folhas queimadas levassem as lembranças com o vento e espalhassem todas as minhas emoções por aí.

Não sou de misticismos, mas tenho minhas práticas de respeito para com meus sentimentos, quer sejam bons ou ruins. Sempre quis me permitir sentir tudo, de todas as maneiras, para me conhecer. É como se eu fosse uma pessoa por fora, essa que tem cabelo, nariz e olhos, e outra por dentro, uma que tem ansiedade, curiosidade e uma certa racionalidade exacerbada, e quisesse que essas duas pessoas fossem melhores amigas.

Da última agenda queimada pra cá, passaram-se exatos 20 anos. Acho que essa recente necessidade de voltar a escrever para mim é um desejo de resgate da pessoa que eu fui outrora.

Nesses últimos 20 anos muitas coisas aconteceram: me formei em desenho industrial, tive alguns empregos, abri uma empresa, fiz uma pós-graduação, casei, perdi algumas pessoas queridas, me tornei vegetariana, expandi minha espiritualidade, conheci pessoas incríveis, viajei…

E o que mais me lembro de ter documentado nas minhas agendas, além das questões clássicas da adolescência, foi o surgimento da internet. Tive meu primeiro email no Zipmail, aprendi logo HTML, fiz o primeiro site da empresa do meu pai e conversei muito nos bate-papos do UOL!

Apesar de ter me formado em desenho industrial, a vida não me afastou do trabalho com a web e foi nisso que eu resolvi trabalhar em minha própria empresa. O tempo passou e vieram os blogs, as redes sociais, o Youtube… e tudo isso passou a mostrar o lado feio das pessoas.

Os discursos de ódio, o sarcasmo, os fanatismos, o consumismo, o oportunismo e o desejo de mostrar tudo para os outros transformou a internet em algo que eu não sei se gosto mais. Claro que os serviços online são outra coisa, sem os quais não dá mais pra ter uma vida prática e ágil.

Mas a internet enquanto comunidade de pessoas virou um local tóxico. O momento em que escrevo isso é o exato momento em que o Instagram removeu o número de curtidas de um post como informação pública, com o pretexto de deixar esse ambiente menos competitivo e reduzir a pressão de ter conteúdos aprovados pelos seguidores.

As relações estão rasas e o autoconhecimento nunca foi tão importante.

Ao mesmo tempo em que existe essa questão das felicidades falsas nas redes sociais, o Brasil deu início a uma nova era de polaridade política, despertada não pelo interesse da população em compreender o sistema onde está inserida, mas pelo despudor em mostrar sua face preconceituosa, racista, machista, homofóbica, xenofóbica, gordofóbica.

Esses grupos encontraram voz na internet e perderam a vergonha de assumir o que são e, além disso, atacar os outros. Esses discursos e comportamentos, que eu imaginava que fossem tão distantes de mim, apareceram mais perto do que eu gostaria. Pessoas que eu considerava amigas, inclusive na família, revelaram-se com ideias tão retrógradas e agressivas que me passaram a me fazer mal.

É esse cenário que me faz questionar as pessoas com quem me relaciono hoje, os conteúdos que consumo online, o estilo de vida que quero levar adiante e, sobretudo, como lido com tudo isso, internamente.

Acho que me encontro naquele momento em que eu gostaria de unir a pessoa que sou hoje com a que eu era quando mais jovem. De forma alguma isso deve soar saudosista porque não me considero velha, mas é aquela história de “queria ter novamente 18 anos, mas com a cabeça que tenho hoje”.

Esse blog é para isso mesmo. É para que a menina determinada que não se preocupava com a opinião de ninguém ajude a adulta de hoje e voltar para esses trilhos. Escrevo esse blog para me reconectar com a minha essência, afirmar meus valores e usar a tecnologia de hoje para acalmar a vida.

Meu movimento é contrário do que as redes sociais e os gurus do universo digital pregam: quero desacelerar, quero menos coisas, simples prazeres, relações de qualidade, pensar no coletivo.

É por isso que esse blog é escrito, não um vídeo monetizado. A um mês do meu aniversário de 38 anos, esse é o início oficial da minha reconexão comigo mesma, documentando todo o processo.

Vamo que vamo!