Como organizo meus projetos com o Evernote e bullet journal

Há alguns anos descobri o método ideal de organização para mim, o bullet journal. Curioso é que já o praticava antes de ter esse nome, antes de ter virado a febre que virou.

Basicamente, usava o Evernote para organizar minhas tarefas por semana, uma semana por nota. Comecei em meados de 2013 e só parei quando, depois de ver o vídeo do projeto Bullet Journal, achei que usar um caderno impresso, em vez de virtual, seria mais prático para mim.

No Evernote, fazia assim:

  • Criei um caderno chamado Diário.
  • Dentro desse caderno, criava notas cujo título eram os dias da semana, começando na segunda e terminando na sexta. Por exemplo: “Semana de 05.08.2019 a 09.08.2019“. Cada nova semana recebia seu título escrito exatamente nesse formato, só trocando os números dos dias.
  • Para cada nota, atribuía as tags “diário” e o ano. No exemplo de nota que citei acima, ela receberia a tag 2019, pois trata-se de uma semana do ano de 2019.
  • Dentro da nota, escrevia os dias da semana, um por linha, em negrito, e abaixo deles, inseria uma linha horizontal, para atuar como separador mesmo. Abaixo de cada separador, usava o recurso de caixa de seleção tipo checklist, colocando um item por linha de cada tarefa que tinha que fazer, na área de cada dia da semana.
  • Como o Evernote é uma ferramenta online, sempre que eu concluía uma tarefa era só ticar a caixa de seleção, que ficava marcada e indicando a tarefa feita.

Usava esse método do bullet journal no Evernote apenas para coisas do trabalho, pois trabalho mesmo no computador e parecia mais fácil ir anotando as tarefas online.

Print da tela do Evernote, demonstrando a organização de tarefas de uma semana (apenas os dias úteis).

Usei o bullet journal com Evernote até agosto de 2018, quando descobri os planners físicos e decidi testar o uso de um caderno impresso para fazer o acompanhamento das tarefas.

Descobri que me dá muito mais prazer riscar uma tarefa realizada, à caneta, do que só marcar com check num sistema online. Além disso, o caderno, que é praticamente uma agenda, me permite também anotar as tarefas dos finais de semana, que ficaram mais tumultuados nos últimos anos (ou minha memória é que foi ficando ruim e exigindo que as coisas desses dias também fossem anotadas).

Anotações de tarefas e eventos diários no meu bullet journal

Sei que poderia anotar as tarefas de fim de semana no próprio Evernote, mas nesses dias de descanso não queria estar no computador para ticar os feitos e nem ir acompanhando pelo app do celular, que está sempre por um fiapo de bateria.

Pelo que vejo no Instagram, o grande lance das pessoas que usam bullet journal é enfeitá-lo, da mesma forma como eu fazia com as minhas agendas-diário da adolescência, com adesivos, caligrafia bonita e muitas cores.

Ainda quero ter um caderno de artes, ilustrações e colagens, mas prefiro isso separado do diário de tarefas, a exemplo do incrível José Naranja. Até comecei a fazer o caderno, cortei e costurei as páginas, mas me falta fazer a capa. Ainda não encontrei os materiais adequados.

Mas isso não significa que abandonei o Evernote. Ele ainda é fundamental para a organização dos meus projetos, especialmente os conteúdos que preciso e quero escrever, como artigos técnicos do trabalho e posts de blogs.

Como cada projeto tem um site, criei no Evernote um caderno chamado Projetos e, dentro dele, notas cujos títulos são os endereços desses sites em que trabalho. Nessa nota, escrevo tudo o que preciso fazer nesse site: instalar Google Analytics, otimizar a programação responsiva, implementar Adsense e assim por diante.

Também criei cadernos com títulos dos endereço de cada site e, dentro de cada caderno, coloco as notas com conteúdos grandes que preciso publicar nesses sites, como posts que devo escrever, novas páginas e seus conteúdos, ideias de design, tipografia etc.

A vantagem é que a lista dessas notas é a própria lista de tarefas a serem feitas, e como são conteúdos que preciso escrever, posso escrevê-los na própria nota, acrescentar imagens, links, documentos anexos e diversas referências, como se fossem vários clips com conteúdos de apoio pregados na página.

Fiquei com pena de deixar de usar o Evernote como diário de tarefas, e não descarto voltar a usá-lo para isso. Os dois (caderno e Evernote) têm suas vantagens e desvantagens e isso me deixa confusa. Não sou muito ligada em astrologia, mas pelo menos essa coisa de organização e perfeccionismo que atribuem aos virginianos me serve bem, porque acho que sou meio compulsiva em encontrar o método *PERFEITO* de organização.

Vantagens de usar o Evernote

  • Ficando tudo anotado digitalmente, existe o mecanismo de busca para localizar uma tarefa marcada há alguns atrás ou adiante.
  • Também é muito mais prático para transferir tarefas de datas. Por exemplo, se não deu tempo de concluir uma tarefa designada para o dia de hoje, é só recortar o texto dela e colar no dia seguinte no Evernote, enquanto que no caderno teria que riscar a tarefa do dia de hoje e escrevê-la novamente no dia seguinte.
  • O Evernote é um espaço infinito para cada dia. Não que eu tenha tantas tarefas assim no dia, mas no caso desses dias em que tenho que transferir tarefas, às vezes fazer isso por escrito ocupa muitas linhas no caderno impresso, o que não é um problema no Evernote.
  • A possibilidade de colocar arquivos anexos e imagens nas notas também é muito boa para incluir referências que ajudam a realizar uma tarefa, como preencher o formulário de um site (só colocar o link), guardar documentos que ainda não precisam ser impressos e que estão associados a uma tarefa (como um recibo de pagamento a emitir, por exemplo).
  • Poder fazer link entre as notas é como fazer links automáticos entre as páginas de um caderno, nos casos de tarefas relacionadas e dependentes entre si. Por exemplo, posso criar uma tarefa “escrever o artigo sobre inbound marketing” e, nela, colocar link para a nota em que, efetivamente, vou escrever esse conteúdo.

Bom, só de ter enumerado esses itens estou quase me convencendo a voltar a usar o Evernote como gerenciador de tarefas, como sou tonta.

Vantagens de um planner ou caderno físico

  • Esses planners novos que estão à venda têm design super atraente, que pegam no meu ponto fraco, como designer que sou. As páginas bonitas, com tipografia clean e linhas suaves são um convite à escrita, mesmo que seja de tarefas chatas.
  • Os planners também têm vindo com outras páginas acessórias que nos ajudam a controlar melhor as tarefas do dia, como lista de livros a serem lidos, séries e filmes para assistir, controle financeiro e os famosos habit trackers. Esses, que amo, são tabelas em que, num sentido (horizontal ou vertical), escrevemos todos os dias do mês e, no outro, escrevemos as tarefas que precisamos fazer diariamente, como tomar 2L de água, estudar 1h, tomar suco verde, passar filtro solar etc. Cada quadradinho da tabela correspondente à tarefa em determinado dia, que pintamos ou fazemos um X para indicar que foi feita. Tentei fazer isso no Evernote mas não me pareceu muito prático, especialmente para atualizar pelo celular, porque a tabela fica com rolagem horizontal. No planner impresso, o controle mensal disso fica lindo, todo pintadinho e colorido, e satisfatório de ver preenchido.
  • A versão dos anexos do Evernote no planner ou caderno físico são os papeis massarocados entre as páginas ou, no meu caso, entre a capa e contracapa. Tudo o que eu pego de papel importante, que não posso perder, guardo dentro do planner, pois não vou perder e nem vão ficar amassados ou rasgados. Receitas e pedidos médicos, recibos de compras que preciso contabilizar depois, protocolos de retirada de documentos etc, ficam todos no mesmo lugar e encontro tudo quando preciso. Mais prático isso do que digitalizar e manter guardado no Evernote. Me dá uma certa agonia ir acumulando coisas digitais, porque como não fazem volume à vista, a gente esquece que existem.
  • Como disse antes, é mesmo muito mais prazeroso riscar uma tarefa feita, à caneta, do que marcar um check digital num texto que nem fica riscado (eu sei, sou louca por me apegar a esses detalhes). Quando consigo riscar todas as tarefas que havia designado para o dia, então, fico tão satisfeita que passo um risco no dia inteiro, como se isso fosse um gigantesco DONE na vida. 😛
  • As coisas, quando escritas, parecem mais palpáveis e importantes do que quando digitadas, porque escritas deixam marca no papel, é como se elas existissem mais do que as tarefas anotadas virtualmente, porque essas podem ser apagadas com facilidade. É como se, escrevendo a tarefa, a necessidade dela ser feita se materializasse com mais clareza. Nossa, acho que preciso de uma consulta psiquiátrica…

Acho que o que mais pesa minha decisão a favor do planner físico é mesmo o fato dele ser palpável. Posso pegá-lo pra folhear até como passatempo, apreciando as páginas que já foram, tendo uma percepção mais real do tempo que está passando.

Apesar de horrível, também gosto de ver minha letra, parece que ver as tarefas escritas e a forma como as escrevo – com letras trocadas, rasuras, às vezes ilegíveis até para mim – é ver um espelho. Acho interessante me reconhecer nos pequenos detalhes da vida.

Mas como indecisão é meu sobrenome, tudo pode mudar amanhã mesmo…

2 Replies to “Como organizo meus projetos com o Evernote e bullet journal”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *