Adaptando a casa para quem tem asma e rinite

Tenho bronquite – segundo meu pneumologista, um sinônimo de asma ou bronquite asmática – e rinite há mais de 20 anos. A sinusite vem em situações emocionais, e como ultimamente tenho conseguido manter o stress sob controle, já não é um problema para mim.

Mas aqui em casa também vive uma gatinha que tem asma felina. Meu irmão tem alergia aos pêlos de gatos e também tem rinite crônica. A imensa maioria dos meus amigos também têm rinite e/ou sinusite.

Acho que isso é algo inerente a quem vive em cidades muito populosas, então precisamos aprender a conviver com narizes e pulmões nervosos.

Para deixar a casa mais agradável para mim, para a gata e todas as pessoas alérgicas que me visitam, fiz algumas mudanças que melhoraram bastante a qualidade do ambiente.

Algumas dessas práticas foram completas novidades, pois nem todos os médicos falam com tantos detalhes sobre isso. Algumas têm um certo custo para implementar – como as que recomendam o uso de aparelhos específicos, mas a grande maioria é incrivelmente simples de aplicar.

Não arrumar a cama.

Ou esperar 1h para arrumá-la (depois de ter deixado janelas e portas abertas). Isso dificulta a proliferação dos ácaros e suas fezes pelo colchão, travesseiros e demais superfícies do cômodo de dormir.

Usar protetor impermeável de colchão e travesseiro.

Os protetores não podem ser aqueles que só ficam por cima do colchão ou que são de materiais permeáveis. Eles precisam envolver, encapar o colchão inteiro, da mesma forma que um lençol de elástico.

Ser impermeável é importante para que os resíduos do nosso corpo (suor, pele morta e demais fluidos) não entrem em contato com o colchão e o travesseiro, servindo de alimento para os ácaros.

Deixar todos os ambientes ventilando, ao natural, diariamente.

Janelas e portas abertas são fundamentais para reduzir a umidade do ambiente.

Os ácaros gostam de ambientes quentes e úmidos. Quando nossa casa não está bem ventilada, está úmida e quente, torna-se um ambiente favorável aos ácaros e sua reprodução.

Essa umidade e calor não precisam ser extremos, naqueles níveis que nos incomodam. Aliás, nós nem percebemos quando a casa está totalmente propícia aos ácaros.

Por isso, deixar tudo aberto, o máximo de tempo que puder, é imprescindível.

Usar um desumidificador de ambientes.

A umidade do ar ideal para um ambiente interno é de cerca de 45%.

50% já é considerado úmido demais, e 30% é seco demais. Geralmente, dá pra saber se o ambiente está úmido quando ele apresenta sinais de mofo no teto e paredes (ou mesmo dentro de armários) ou mesmo nebulização nas janelas e paredes.

Já o ambiente seco demais pode ser percebido com o aumento da estática ou mesmo quando móveis e pinturas estão craquelando.

Se você tiver dúvidas se sua casa é úmida ou seca demais, existe um aparelho chamado higrômetro, semelhante a um relógio digital – e que custa cerca de R$ 50 – que mede a umidade presente no ar. Esse controle é fundamental para manter a saúde de pessoas alérgicas, com rinite e/ou asma.

O higrômetro informa o percentual de umidade do ambiente, mas apenas um aparelho desumidificador consegue remover a umidade excessiva do ambiente sem deixá-lo seco demais para nós.

Como o desumidificador tira a umidade do ambiente, ele contém um reservatório onde vai armazenando a água retirada, e depois de certo tempo de uso, basta descartar a água que foi coletada.

Um umidificador talvez também precise entrar em ação.

Para ter uma noite de sono confortável quando o tempo estiver seco, por exemplo, é recomendado deixar o umidificador ligado no quarto por 3h ou 4h antes de dormir. Depois, é só desligá-lo ou mantê-lo ligado no mínimo, mas com uma porta aberta para que o excesso de umidade possa se espalhar – pois o excesso de umidade também é prejudicial à saúde do alérgico.

Quem não puder adotar o umidificador de ar, pode colocar uma toalha molhada ao lado da cama, que é mais eficiente do que manter uma bacia com água no ambiente.

Para quem não usa ou ficou um bom tempo sem usar protetores de colchão, é recomendado, uma vez por semana, polvilhar bicarbonato de sódio em todo o colchão e travesseiros, deixar agir por meia hora e depois aspirar tudo.

Não deixar travesseiros e colchões no sol ou em outra fonte de calor.

Muita gente coloca travesseiros e colchões no sol justamente para “matar” os ácaros, mas isso não ocorre. O sol ou qualquer outra fonte de calor, por mais forte que seja – como uma secadora de roupas, por exemplo – não agirão sobre travesseiros e colchões por tempo o suficiente para secá-los por completo.

Isso quer dizer que lavar travesseiros e colchões, mesmo com empresas especializadas, não resolve o problema, e pode até mesmo piorar a qualidade desses objetos.

A água que entrou em contato com parte mais interior do travesseiro demora a secar completamente, mesmo que ao nosso toque pareça seco e mesmo se o travesseiro for seco em secadora. Com o interior ainda úmido e quente (pela secagem ao sol ou em máquina), cria-se um ambiente ainda mais confortável para os ácaros viverem e se reproduzirem.

Trocar travesseiros a cada 2 anos.

2 anos é o tempo que leva para que se acumulem ácaros vivos, mortos e suas fezes dentro dos travesseiros em quantidade tal que chegam a corresponder a 1/3 do peso total do travesseiro.

Trocar colchões de acordo com o tempo indicado pelo fabricante.

Geralmente, colchões de espuma precisam ser trocados a cada 5 anos e, os de molas, a cada 10 anos. Porém, pode ser necessário trocá-los antes disso se eles não eram usados com protetores impermeáveis, se estiverem rasgados, furados, com mau cheiro e sem firmeza.

Use aspiradores de pó em vez de vassouras na limpeza dos ambientes.

O movimento da vassoura levanta as partículas de poeira e pode causar irritação na pessoa com asma ou rinite.

Se não for possível usar aspirador, envolva a vassoura com um pano úmido, que em vez de espalhar a poeira, irá capturá-la.

Usar apenas aspiradores de pó que possuem filtro HEPA

O aspirador de pó tem uma saída de ar em sua parte traseira, por onde percebemos um ar morno saindo. Essa parte precisa ter um filtro com malha suficiente para reter a poeira que está sendo aspirada.

Para os alérgicos, porém, não basta que o aspirador de pó filtre a poeira, mas precisa também que filtre os ácaros que foram sugados com a poeira.

Apenas os filtros HEPA são capazes de reter partículas que têm o tamanho das fezes dos ácaros. Um aspirador sem filtro HEPA aumenta em 1.000 vezes a quantidade de alergenos presentes no ambiente.

Não ter ou manter em estantes fechadas, livros e bichos de pelúcia.

O Kindle é o melhor amigo do minimalista e também da pessoa alérgica (rs). Isso porque os livros de papel tendem a acumular poeira e ácaros, e quando a limpeza diária dos livros é inviável devido à rotina corrida, o melhor é mantê-los em armários fechados.

Não ter tapetes.

Não basta aspirar os tapetes todos os dias. Suas fibras irão reter ácaros e suas fezes, de qualquer jeito. Quanto menos ambientes favoráveis aos ácaros existirem em casa, melhor.

Não ter cortinas de tecido, sisal, pêlos ou qualquer trama que permita a proliferação de ácaros.

Persianas de PVC ou alumínio são melhores, mas precisam ser constantemente limpas por acumularem poeira em suas lâminas.

Limpar os filtros do ar condicionado.

Quem tem ar condicionado no carro e/ou em casa, precisa limpar seus filtros periodicamente.

O que faz mal ao alérgico não é a friagem do ar condicionado (quando em temperaturas amenas, claro) e nem o fato dele reduzir a umidade do ambiente, mas o seu filtro sujo, que expulsa partículas de poeira e sujeira no ambiente.

Quem trabalha em ambientes com ar condicionado ligado constantemente, precisa verificar se a empresa está cuidando dessa manutenção periódica do aparelho.

Carregar sempre consigo água e soro fisiológico.

A água é pra beber mesmo! O alérgico precisa estar sempre muito bem hidratado.

Já o soro fisiológico é pra lavar o nariz constantemente, mesmo quando não sinta desconforto.

Quem for mais disciplinado pode, ainda, adotar o uso da Lota, que é uma panelinha com formato de chaleira – mas que não vai ao fogo! – e que serve para lavar as narinas. O formato de chaleira permite que o bico direcione água para dentro de uma narina. A água vai circular dentro da narina e sair pela outra.

Fazer essa limpeza diária com soro fisiológico – ou água com um pouquinho de sal – é importante para manter o nariz livre de partículas alergenas.

Trocar os produtos de limpeza e higiene pessoal por itens sem cheiro, neutros, naturais e antialérgicos.

Tanto para a limpeza da casa quanto em produtos de higiene pessoal e beleza, costumo usar receitas naturais caseiras, muito seguras e eficazes.

Para a limpeza da casa, uso receitas caseiras à base de sabão de coco, vinagre de álcool, limão e bicarbonato de sódio.

Para higiene pessoal e beleza, também uso bicarbonato de sódio, óleo de coco, óleos essenciais e até mesmo o vinagre (de maçã), que é um ótimo antifrizz para o cabelo.

Pessoas não alérgicas, mas que vivem na mesma casa que a pessoa que tem asma ou rinite, também deveriam evitar esses produtos com cheiro, mas se não for possível, que ao menos os usem em um ambiente longe da pessoa alérgica, com a porta fechada.

Depois do uso, deixar uma janela aberta para que o cheio vá para fora e o ambiente seja arejado, sem que a pessoa alérgica tenha contato com as partículas químicas que ficarem no ar depois do uso do produto.

No frio, em vez de cobertores, usar edredons ou colchas.

A questão é que os pêlos e fios expostos dos cobertores são mais propensos a acumular ácaros e poeira, mesmo que tenham ficado guardados em gavetas e armários.

Na verdade, é justamente dentro desses locais, geralmente úmidos e quentes, que os ácaros se proliferam mais.

Se não puder trocar cobertores por edredons ou colchas, dá pra fazer uma dobra na parte superior do lençol que fica próxima ao rosto, de forma que essa dobra do lençol cubra a parte de cima do cobertor. Isso evita que os pelos e ácaros presentes no cobertor fiquem próximos ao nariz e pulmão da pessoa com asma ou rinite.

No calor, ao usar ventiladores de piso ou de teto, direcione o vento para cima.

Quando vento aponta diretamente para baixo, levanta partículas de poeira que ficam em suspensão e misturam-se ao ar que respiramos, provocando crises alérgicas. 

Evitar pisos que acumulem poeira entre suas juntas.

Cuidado extremo com pisos que possam acumular poeira e ácaros entre suas juntas, como os pisos de taco, especialmente em ambientes mais antigos, que já têm tacos soltos.

Os pisos ideais para a casa do alérgico são os frios (cerâmica, porcelanato, pedra etc), os laminados e os vinílicos. Esses pisos permitem fazer limpeza com água e não acumulam poeira em suas juntas.

Deixar roupas no varal, de preferência expostas ao vento.

Isso é para que reduzam ao máximo a sua umidade antes de guardá-las, e serve tanto para roupas lavadas quanto para as que usamos no dia, mas que ainda não estão tão sujas para serem lavadas.

Essas roupas que usamos e guardamos para serem usadas novamente, estão com a umidade característica do nosso corpo e com partículas de pele, cabelo etc, alimentos preferidos dos ácaros.

Cuidar dos pêlos dos pets que vivem em casa.

O cuidado com as roupas usadas e com as roupas de cama são ainda mais importantes para ambientes onde vivem pets com problemas respiratórios, que geralmente dormem sobre esses locais quentinhos e que têm nosso cheiro.

Eles também sofrem com os ácaros e merecem ambientes acolhedores!

Muita gente fala que o alérgico deve evitar contato com pêlos de animais, mas eu só descobri ter asma e ser alérgica a pêlo de gatos depois que eu já tinha 4 gatos em casa.

Eu não ia mandar os bichinhos embora, então procurei meios de convivermos bem – daí a minha pesquisa que resultou em todas essas recomendações.

Meu grau de asma é leve, nunca tive crises agudas de falta de ar, apenas faço controle diário com um remédio de aspirar (que não é aquela bombinha de alívio imediato).

O uso desse medicamento de controle e essas medidas adotadas em casa já me asseguram uma vida tranquila, mas quem tem asma severa ou alergia mais forte pode mesmo ter que se privar da convivência com pêlos de animais – apesar de eu achar que, antes de se chegar a essa conclusão, precisa-se esgotar todas as outras possibilidades e cuidados.

Muitas vezes, a rinite ou a asma são desencadeadas não pelo contato com os pêlos, em si, mas pelas secreções, pele morta e poeira que habitam neles. Por exemplo: minha outra gatinha, a Filó, tem uma caspa que não some. Não é extrema, mas já é outro possível alergeno presente na casa.

A solução é escovar os pêlos dos gatos diariamente para remover o máximo possível dos pêlos soltos.

Isso faz bem pra eles mesmos, que ao tomarem seus banhos se lambendo, engolem bem menos pêlos e sofrem bem menos com tosses e expulsão de bola de pêlos.